quarta-feira, 30 de maio de 2012

III Formação Ministerial acontece neste domingo


No dia 3 de junho acontece na escola municipal Félix Joaquim de Moraes, em Camaçari (BA),de 8h às 12h30,  a terceira formação ministerial da Renovação Carismática Católica da Diocese de Camaçari.

A formação é direcionada para todos os membros dos Grupos de Oração da RCC Diocesana , que já atuam ou estão iniciando em um Ministério ou Serviço (Pregação, Formação, Intercessão, Música e Artes, Oração por Cura e Libertação, Promoção Humana, Comunicação Social, Secretaria e Tesouraria). Haverá também Formação Pré-Ministerial, para todos aqueles que já fizeram o Seminário de Vida no Espírito e ainda não tem o seu Ministério discernido.

O local do encontro fica na  Rua Canário, no bairro Camaçari de Dentro, próximo ao Edifício MEDDI Camaçari / Sistema de Saúde Santa Helena. Para quem mora nas cidades de Madre de Deus, São Francisco do Conde, São Sebastião do Passé, Candeias e Simões Filho, ao chegar na entrada da cidade,(via COPEC), deve soltar no ponto próximo ao semáforo no cruzamento com a Avenida Concêntrica e pedir informações. 

sábado, 26 de maio de 2012

9º dia #NovenaDePentecostes - Capacitados para Servir


Leitura do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos, capítulo 16, versículos de 12 a
18.


 Reflexão Catequética


Pentecostes é uma graça constitutiva - “que faz parte” - do grande mistério pascal, pelo qual o Filho - o Verbo de Deus encarnado - obteve para nós a remissão de nossas faltas e a garantia de participação na vida eterna, na comunhão com a Trindade Santa, Deus tem um propósito especial e muito definido ao nos dar o seu Espírito Santo: tornar possível a continuidade da graça da salvação para todas as gerações que se sucedem à morte e ressurreição de Cristo (cf. DIM, 1; DeV, 22 e 67). “ Recebereis o poder do Espírito Santo e então sereis minhas testemunhas [...] até os confins do mundo”, nos esclarecia Jesus (cf. At 1,8). “Assim como o Pai me enviou, assim estou enviando vocês [...]: recebam (para isso) o Espírito Santo! E o que vocês perdoarem, estará perdoado (cf. Jo 20, 21-23). O Espírito, pois, nos é dado não apenas como “penhor da nossa herança” eterna (cf. Ef 1 13-14; Gl 4, 6-7, Ti 3, 5-7), mas também para que posamos testemunhar a respeito da obra de Jesus (cf. Jo 15,26-27). “... é missão do Espírito Santo também o transformar discípulos em testemunhas de Cristo” conforme nos recorda João Paulo II, em sua Encíclica Catechese Tradendae, n. 72.

O Catecismo da Igreja católica (n.683) nos diz que “sem o Espírito não é possível ver o Filho de Deus, e sem o Filho, ninguém pode aproximar-se do Pai, pois o conhecimento do Pai é o Filho, e o conhecimento do Filho de Deus se faz pelo Espírito Santo.” E Paulo VI, em sua Encíclica Evangelli Nuntiandi, n.75, nos ensina que “nunca será possível haver evangelização sem a ação do Espírito Santo [...] Ele é aquele que, hoje ainda, como nos inícios da Igreja, age em cada um dos evangelizadores que se deixa possuir e conduzir por ele, e põe na sua boca as palavras que ele sozinho não poderia encontrar, ao mesmo tempo que predispõe a alma daqueles que escutam, a fim de a tornar aberta e acolhedora para a Boa Nova e para o reino anunciado. As técnicas da evangelização são boas, obviamente; mas ainda as mais aperfeiçoadas não poderiam substituir a ação discreta do Espírito Santo. A preparação mais apurada do evangelizador nada faz sem ele. De igual modo, a dialética mais convincente, sem ele, permanece impotente em relação ao espírito dos homens. 

E, ainda, os mais bem elaborados esquemas com base sociológica e psicológica, sem Ele, em breve se demonstram desprovidos de valor.” Ou seja, é possível ter-se uma abundância de programas, de planejamentos, de projetos, e até de boas intenções, mas se não levarmos em conta, de modo efetivo e experiencial (e não apenas com retórica sociológica e teológica) a participação livre e soberana do operar do Espírito, podemos fazer muito barulho e colher poucos resultados em nosso trabalho de evangelização. Quem não leva à missão os recursos do poder do Espírito, dá de si mesmo; e o que nós temos a oferecer é sempre pouco para tocar o coração dos homens - uma vez que a mensagem cristã contém elementos que vão além da simples capacidade de compreensão intelectual, racional, dos seres humanos.

Desde os primórdios da evangelização, Paulo ressaltava: “O nosso Evangelho vos foi pregado não somente por palavra, mas também com poder, com o Espírito Santo e com plena convicção. Sabeis o que temos sido entre vós para a vossa salvação” (1 Tes 1, 5). E mais: “Também eu, quando fui ter convosco, irmãos, não fui com o prestígio da eloqüência nem da sabedoria anunciar-vos o testemunho de Deus. Julguei não dever saber coisa alguma entre vós, senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado. Eu me apresentei em vosso meio num estado de fraqueza, de desassossego e de temor. A minha palavra e a minha pregação longe estavam da eloqüência persuasiva da sabedoria; eram, antes, uma demonstração do Espírito e do poder divino, para que vossa fé não se baseasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus” (1 Cor 2,1-5)

O Concílio Vaticano II, em seu documento sobre o apostolado dos leigos (Decreto Apostolican Actuositatem, n. 3), advertia: “Impõe-se pois a todos o dever luminoso de colaborar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e acolhida por todos os
homens em toda a parte. Para exercerem tal apostolado , o Espírito Santo - que opera a santificação do povo de Deus por meio do ministério e dos sacramentos - confere ainda dons peculiares aos fiéis (cf. 1Cor 12,7), “distribuindo-os a todos, um por um, conforme quer” (1 Cor 12, 11), de maneira que “cada qual, segundo a graça que recebeu, também a ponha a serviço de outrem” e sejam eles próprios “como bons dispensadores da graça multiforme de Deus” (1 Pd 4, 10), “para a edificação de todo o corpo na caridade” (cf. Ef 4,16). A obra da Salvação é uma obra de Deus. E para realizar e cooperar com a obra de Deus, precisamos do poder de Deus, conforme nos foi prometido e dado (At 1,8). Assim como é louvável buscarmos o mais frequentemente possível a comunhão com o Senhor na Eucaristia, de igual modo é salutar pedirmos ao Senhor que nos batize, que nos sature constantemente com seu Espírito, capacitando-nos adequadamente para a missão. Abrir se, pois, ao Espírito Santo e aos seus dons e carismas é a forma concreta de nos deixarmos interpelar por Sua Palavra e respondermos com fé e generosidade ao chamado  que Deus, privilegiadamente, nos fez em Jesus Cristo , pelo Espírito! Amém!

Oração 

A - Graças, Senhor, pelo teu Pentecostes, que se renova mais e mais agora. Sabemos que
é chegada a tua hora, e que dispensas os teus dons em profusão...
B - Dá-nos também um Pentecostes que nos abale, que nos sacuda... Um rápido tufão que
da nossa pequenez nos desinstale;
que leve, uivando, a bagatela, o lixo odioso, e ponha à prova das nossas tendas a firmeza.
A - Dá-nos um Pentecostes que nos derrube ao chão, como um vento conquistador,
impetuoso;
mas que saneie o charco e corte a estrada que nos conduza à segurança e à certeza.
B - Dá-nos um novo Pentecostes, vendaval que arrombe portas e janelas: um sinal para
sairmos de nós, e aos outros dar entrada;
que sobre o mundo nos dê outro cenário sem os espelhos do nosso santuário que só nos
refletem a nós: a nós e o nada!
A - Dá-nos um novo Pentecostes, de abrasar, para a nova de Jesus anunciar aos
pequeninos, aos que choram e têm fome, para que cresçam e riam, em teu nome!
Má nova aos grandes, cuja vida é um não.
Sejam todos pequenos, em teu nome, e chorem, para obter o teu perdão.
B - Dá-nos um novo Pentecostes, fogo e chama, que queime em nós o erro e a
mesquinhez, rasgando a selva e secando a lama... fazendo ver com nova limpidez visões
de apocalipse e de verdade: tua verdade, serena, a uma só: a vida que é nossa, na
Trindade... e, além do pó, um encontro já marcado: a eternidade!
A - Dá-nos um novo Pentecostes, que, além disto, purifique o ouro em nós, até brilhar e
refletir no mundo Jesus Cristo.
B - Dá-nos um novo Pentecostes, que faça ardente tocha da tua igreja. Firmados nessa
rocha o mal não poderá nos arrastar.
T - Renova-a dia-a-dia, para que mais e mais dê glória a Deus, para que mais e mais
sejamos teus, até o renascer na Parusia!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

8º dia #NovenaDePentecostes: A efusão do Espírito Santo


Leitura da Carta de Paulo aos Gálatas, capítulo 5, versículos de 16 a 23.

Reflexão Catequética

Por sua Páscoa, Jesus Cristo redimiu todo o gênero humano. Por Ele, todos os homens têm acesso à salvação. É fundamental, porém, que todos e cada homem - já salvos - assumam, explícita e pessoalmente, essa salvação. O mistério da salvação oferecido gratuitamente por Deus precisa ser aceito livremente por cada um de nós, como opção pessoal, em uma atitude de obediência de fé. “ Para que se preste essa fé, exigem-se gravação prévia e adjuvante de Deus e os auxílios internos do Espírito Santo, que move o coração e converte-o a Deus, abre os olhos da mente e dá ‘a todos suavidade no consentir e crer na verdade’. A fim de tornar sempre mais profunda a compreensão da Revelação, o mesmo Espírito Santo aperfeiçoa continuamente a fé por meio de Seus dons” (Constituição Dogmática Dei Verbum, n. 5). 

Ou seja, não se avança na percepção progressiva do mistério da salvação realizada por Jesus Cristo sem se deixar habitar em plenitude pelo Espírito Santo, sem experimentar continuamente de sua efusão admiravelmente manifestada, derramada, dada e comunicada em Pentecostes (cf. Catec; n. 731), mas prometida para estar conosco eternamente. “Tendo entrado uma vez por todas no santuário do céu, Jesus Cristo intercede sem cessar por nós como mediador que nos garante permanentemente a efusão do Espírito Santo.” (Catec., n. 667). O Espírito não cessa, pois, de levar continuamente as pessoas à experiência do Cristo vivo e ressuscitado, por meio de sua efusão. Crentes, descrentes, batizados só de nome, praticantes, santos e pecadores, são visitados por essa graça pascal (v. Catec., n.731), e dão um salto qualitativo na fé, que vai de um não conhecimento, de um conhecimento insuficiente, de um conhecimento estribado na cultura e na razão, apenas, a um conhecimento experiencial, que aguça a fé e sacia a sede e que envolve todo nosso ser e proporciona a todos uma progressiva tomada de consciência a respeito do real significado dos sacramentos da iniciação cristã, do que significa ser cristão, ser salvo, ser Igreja... 

não precisamos ficar esperando que, aleatoriamente, uma hora aconteça conosco. Ou, se já aconteceu, achar que foi o suficiente. Jesus nos garante permanentemente a efusão do Espírito Santo, como vimos. Quem tiver sede, vá a Ele e beba (Jo 7, 37-39), mais e mais. Se o nosso pecado, se a nossa tibieza, se a nossa pequena fé nos esmorecem, anchemo nos do Espírito (cf. Ef 5, 12)! Agora isso é possível. É possível oferecermos ao Espírito mais e mais espaço em nossa vida para que Ele a replene com sua plenitude. Ele, que já está em nós, pode manifestar-se, aqui e agora, segundo a Sua vontade e nossa abertura à Sua ação...

É até quando vamos ter necessidade da Efusão do Espírito? Até atingirmos a santidade!!! Isso mesmo, pois, “... se o batismo é um verdadeiro ingresso na santidade de Deus mediante a inserção em Cristo e a habitação de seu Espírito, seria um contra-senso contentar-se com uma vida medíocre pautada por uma ética minimalista e uma religiosidade superficial. Perguntar a um catecúmeno: ‘Queres receber o Batismo?’ significa ao mesmo tempo pedir-lhe: ‘Queres fazer-te santo?’ (Novo Millennio Ineunte, 31). Em março de 2002, falando aos membros de uma delegação da “Renovação no Espírito Santo”, na Itália, o papa João Paulo II afirmou: “A Igreja e o mundo têm necessidade de santos, e nós somos tanto mais santos quanto mais deixamos que o Espírito Santo nos configure com Cristo.”

Eis o segredo da experiência regeneradora da ‘efusão do Espírito’, experiência típica que caracteriza o caminho de crescimento proposto pelos menbros dos vossos Grupos e das vossas Comunidades” (L’Osservatore Romano, 30/03/2002). E mais recentemente - 23 de maio de 2004 -, aos convidar os Movimentos Apostólicos a participar da Vigília de Pentecostes, dava o motivo de seu convite: “...para invocar sobre nós e sobre toda a Igreja
uma abundante efusão dos sons do Espírito Santo”... Que tal manifestarmos a Deus, hoje -quem sabe pela primeira vez, ou, talvez, uma vez mais - a nossa sede e a nossa vontade de receber mais e mais da efusão do Espírito?

Associemo-nos a Maria – “aquela que, embora já tendo experimentado a plenitude do Espírito na encarnação do Verbo (gratia plena), obedeceu à instrução do Filho e também colocou-se à espera do cumprimento da promessa do dom do Espírito”. “E todos ficaram
cheios do Espírito...” (cf. At 2,4). Peçamos, com João Paulo II, a intercessão dela: “ Ó Virgem Santíssima, mãe de Cristo e da Igreja [...] Tu que estivestes no Cenáculo com os apóstolos em oração, à espera da vinda do Espírito de Pentecostes, invoca a Sua renovada efusão sobre todos os fiéis leigos, homens e mulheres, para que correspondam plenamente à sua vocação e missão, como ramos da ‘verdadeira videira’, chamados a dar ‘muitos frutos’ para a vida do mundo” (Christifideles Laici, n. 64).

Oração para pedir o Batismo no Espírito Santo

T- Senhor Jesus, vivo, ressuscitado, Vós recebestes o Espírito Santo em plenitude para
comunicá-Lo a todos os que crêem em Vós de todo o coração. Eu creio em Vós, Jesus! De
todo o coração! Com toda a alegria e ação de graças!
Jesus, desejo vivamente viver minha vida cristã em plenitude e santidade. Mas, para assim
vivê-la, eu preciso da ação vigorosa do Vosso Espírito Santo.
Jesus, já me deste o Espírito Santo no dia do meu batismo e O confirmaste em mim pelo
sacramento da crisma. Mas peço-Vos que hoje O libereis em todo o meu ser, para que eu
fique cheio, encharcado, plenificado dEle.
Jesus, um dia dissestes: “Sereis batizados no Espírito Santo.” Batizai-me, agora, Jesus,
conforme a Vossa promessa! Mergulhai-me no oceano do amor e da santidade do Espírito
Santo, para que eu fique plenificado por Sua presença e por Sua ação vigorosa e
santificadora!
Jesus, liberai em mim o Vosso Santo Espírito, de tal modo que Ele se aproprie de mim, de
todo o meu ser: do meu espírito, do meu psiquismo, das minhas faculdades mentais e
emocionais e do meu físico, convertendo-me, libertando-me, transformando-me, curando me
e santificando-me de tal forma, que eu possa ser uma nova criatura, para viver uma vida
nova, em comunhão de amor com o meu Deus e com os meus irmãos.
Jesus, batizai-me no Espírito Santo! Que eu possa experimentar vivamente Sua presença e
Sua santidade em minha vida, todos os dias! Jesus, que Vosso Espírito Santo desabroche
em mim os setes dons infusos! Jesus, que o Espírito de amor gere em mim os Seus nove frutos de santidade! Jesus, que o Espírito Santo se manifeste em mim com Seus carismas,
para que eu possa servir muito mais e melhor aos meus irmãos!
Batizai-me, Senhor Jesus, no Vosso Santo Espírito!
Jesus, creio vivamente que Vós fareis acontecer em mim essa graça bendita. Porque creio,
agradeço. Sim, Jesus, agradeço de todo o coração por tão grande graça. Desejo
corresponder ao amor e à ação do Vosso Espírito Santo, com toda a atenção e dedicação.
Obrigado, Jesus.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

7º dia #NovenaDePentecostes: Sereis Batizados no Espírito Santo



Leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos, capítulo 1, versículos de 4 a 9.

Reflexão Catequética

Na celebração da vigília de Pentecostes de 2004, em Roma, o Papa João Paulo II afirmou em seu discurso: “Desejo que a espiritualidade de Pentecostes se difunda na Igreja como um renovado salto de oração, de santidade, de comunhão e de anúncio” (29/05/2004).Ora, o elemento central de toda a espiritualidade de Pentecostes não é um devocional, um rito litúrgico ou uma novena de orações, simplesmente. Aquilo de mais significativo que a espiritualidade de Pentecostes - mormente em conseqüência da reflexão emanada do Concílio Vaticano II a respeito da Pessoa e do operar do Espírito Santo - tem resgatado e oferecido à Igreja é uma experiência: a experiência do chamado “Batismo no Espírito Santo”...

“Entre os católicos da Renovação a frase ‘batismo no Espírito Santo’ se refere a dois sentidos ou momentos. O primeiro é propriamente teológico. Nesse sentido, todo membro da Igreja é batizado no Espírito Santo pelo fato de ter recebido os sacramentos da iniciação Cristã. O segundo é de ordem experiencial e se refere ao momento ou processo de crescimento pelo qual a presença ativa do Espírito, recebido na iniciação, se torna sensível à consciência da pessoa. Quando se fala, na renovação católica, do batismo no Espírito Santo, recebido na iniciação, se torna sensível à consciência da pessoa. Quando se fala, na renovação católica, do batismo no Espírito Santo, geralmente se refere a essa experiência consciente que é o sentido experiencial.” (Documento de Malines, Orientações Teológicas e
Pastorais da RCC, Cardeal Suenens e outros). 

Para Dom Paul Josef Cordes - atual presidente do Pontifício Conselho Cor Unum (das obras de misericórdia) - , “o batismo no Espírito Santo” é experiência concreta da “graça de Pentecostes” na qual a ação do Espírito Santo torna-se realidade experimentada na vida do indivíduo e da comunidade de fé. O “derramamento do Espírito Santo” é introdução decisiva a uma renovada percepção e a um novo entendimento da presença e da ação de Deus na vida pessoal e no mundo. É, em suma, a redescoberta experiencial, na fé, de que Jesus é Senhor pelo poder do Espírito para a glória do Pai. Enraizado na graça batismal, o “batismo no Espírito” é essencialmente a experiência da renovada comunhão com as pessoas divinas. É abertura e manifestação da vida trinitária nos que foram batizados [...] Com demasiada freqüência, indivíduos batizados não tiveram um encontro genuíno com o Senhor; “muitas vezes não se verificou a primeira evangelização” e ainda não há “adesão explícita e pessoal a Jesus Cristo” (Catechese Tradendae 19). 

Segundo ainda Dom Paul Cordes, a expressão “batismo no Espírito” pode ser usada em muitos sentidos. Aqui, “batismo no Espírito Santo” é usada com respeito à experiência de receber o Espírito Santo com a vida de graça, juntamente com a recepção dos carismas, como parte integrante da iniciação cristã, ou como reapropriação ou inspiração mais tardia em um contexto não-sacramental do que já foi recebido na iniciação (op.cit; p.28). Como se vê, há de se entender aqui a palavra “batismo”, no seu sentido primário, não sacramental, que se refere ao ato de mergulhar, imergir alguma coisa ou alguém em uma outra realidade (no nosso caso, um “inundar-se” no mistério da efusão do Espírito dispensado pelo Pai por intermédio de Jesus, em Pentecostes, que foi “derramado” conforme a promessa (cf. At 2,16-21). Também se recorre com freqüência ao termo efusão do Espírito ou, ainda, “derramamento do Espírito”, e mesmo “um liberar do Espírito Santo”, querendo-se, sempre, referir-se àquela experiência que nos leva a abrirmo nos mais à realidade da Trindade de Deus em nós, com uma crescente consciência a respeito do significado dos sacramentos da iniciação cristã, nos batizados sacramentalmente. Essa especial e profunda “percepção” – definida, perceptível, envolvente - do relacionamento pessoal com Jesus Cristo que essa experiência proporciona não faz parte de nenhum movimento em particular - em caráter exclusivo - mas é patrimônio da Igreja, que celebra os sacramentos da iniciação e por quem recebemos o Espírito Santo.

Antes de entender e elaborar uma teologia a respeito do Espírito Santo, os apóstolos tiveram uma experiência com Ele. Ainda que, a princípio, não entendêssemos tudo o que pode significar, os frutos desse chamado batismo no Espírito deveriam, por si sós, motivar nos a querê-lo, a desejá-lo- e com muita sede - para a nossa vida de fé. Alguns dos frutos que se percebem na vida dos que buscam e experimentam essa graça são:

- Conversão interior radical e transformação profunda da vida;
- Luz poderosa para compreender melhor mistério de Deus e seu plano de salvação;
- Novo compromisso pessoal com Cristo;
- Gosto pela oração pessoal e comunitária;
- Amor ardente à Palavra de Deus na Escritura;
- Busca viva dos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia;
- Amor verdadeiro e autêntico à Igreja e às suas instituições;
- Descobrimento de uma verdadeira opção preferencial pelos pobres;
- Entrega generosa ao serviço dos irmãos, na fé.
- Força divina para dar testemunho de Jesus em todas as partes;

Oração 

A –Vinde Espírito Santo
E enviai-nos do alto do Céu,
Um raio da vossa luz!
B – Vinde, Pai dos pobres,
Vinde, fonte de todos os dons,
Vinde, luz dos corações!
A - Consolador magnífico!
Doce hóspede da alma!
Doce reconforto!
B - Sois repouso para o nosso trabalho,
Calmante para as nossas paixões,
Lenitivo para as nossas lágrimas!
A - Ó luz da felicidade,
Inundai plenamente
Os corações dos vossos fiéis!
B - Sem o vosso auxílio,
Nada pode o homem,
Nada produz de bom!
A - Lavai as nossas manchas!
Banhai a nossa aridez!
Sarai as nossas feridas!
B – Dobrai a nossa dureza!
Aquecei a nossa frieza!
Retificai os nossos erros!
A - Dai aos vossos fiéis,
Que em Vós confiam,
Os sete dons sagrados!
B - Dai-nos o mérito da virtude!
Dai-nos o troféu da salvação!
Dai-nos alegria eterna!
T - Amém, Aleluia!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

6º dia #NovenaDePentecostes: Espírito Santo, dom de Deus


Leitura da Carta de Paulo aos Romanos, capítulo 5, versículos de 1 a 5.

 Reflexão Catequética

Dizia o Evangelho de João, na leitura que vimos em nosso encontro anterior (Jo 7, 37-9), que o “Espírito ainda não tinha sido dado porque Jesus não tinha ainda sido glorificado.” Depois da catequese sobre o Espírito Santo - também já vista por nós (capítulos 14, 15 e 16 de São João) - , Jesus se dirige ao Pai em oração e pede que seja removida essa barreira: “Pai, é chegada a hora: glorifica o teu Filho, para que o teu Filho possa glorificar-te...” (Jo 17, 1). E nós sabemos em que consiste a glorificação de Jesus, descrita nos capítulos seguintes (18 e 19): prisão, julgamento, paixão, morte e ressurreição!

Após esses fatos (capítulo 20), naquele que é considerado o “Pentecostes apostólico”, já vemos os efeitos da glorificação de Jesus: embora as portas estivessem fechadas, Jesus aparece no meio deles, mostra-lhes suas chagas gloriosas, deseja-lhes a paz, sopra sobre eles (retomando uma imagem do Espírito muito conhecida deles,o ruah) e diz: “Recebam o Espírito Santo! ( Jo 20, 19-21). Como a dizer: “Sim, recebam-no; agora Ele pode ser dado (como Eu vos disse!), agora Ele é dom para vocês...”

Na outra descrição de Pentecostes registrada por Lucas (Atos 1 e 2), temos outras evidências do novo modo de o Espírito Santo estar presente. Jesus, já ressuscitado e prestes a ascender aos céus (glorificado, portanto), instrui os apóstolos a aguardarem em Jerusalém, pois agora iria se cumprir-se a promessa do Pai. “Vocês vão receber o poder do Espírito Santo, que virá até vós” (cf. At 1,8), dizia.

Na seqüência, acontece o prometido. Os apóstolos, com Maria e algumas outras mulheres, estavam em oração no Cenáculo quando um vento impetuoso tomou conta do lugar, e umas como que línguas de fogo pousaram sobre eles, que logo começaram a se expressar com manifestações carismáticas, “falando em diferentes línguas conforme o Espírito lhes concedia que falassem.” E sendo entendidos por “pessoas de diferentes línguas e nações” (cf. Atos 1,12- 14, Atos 2, 1ss). Quando o povo, atônito com aquela manifestação espiritual, pergunta a Pedro o que fazer, ele diz: “Arrependam-se, sejam batizados em nome de Jesus para o perdão de vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo; pois a promessa que foi feita a respeito dele é para vós, para vossos filhos e para todos aqueles que estão distantes, e que Deusestá chamando a Ele,” (cf. Atos 2, 37-39)

Cumpriu-se a promessa. Com Jesus glorificado, o Espírito é dado para todos os que ouvem o chamado do Senhor nosso Deus. O Pai e o Filho - como doadores - se doam a nós na Pessoa do Espírito Santo. Ele é uma Pessoa-dom, para nós de agora em diante. Inicia-se aí, em Pentecostes, uma possibilidade de relacionamento com Deus, no Espírito Santo, como nunca fora possível antes. Privilégio dos tempos messiânicos, privilégio nosso. Agora o Espírito se doa a todos, vem para estar em nós (“Acaso não sabeis que sois templo do Espírito?”, cf. 1Cor 3, 16), vem para estar “eternamente conosco” (cf. Jo 14, 16), como Pessoa divina ( e não como uma coisa!), de modo não apenas natural mas, pela graça dos sacramentos, de um modo que supera admiravelmente a nossa natureza humana (cf. 1Cor 2, 4-5.10-14). E nosso Catecismo da Igreja Católica nos confirma: “O Espírito Santo está em ação com o Pai e o Filho do inicio até a consumação do Projeto da nossa Salvação. Mas é nos ‘últimos tempos’, inaugurados pela Encarnação redentora do Filho, que Ele é revelado e dado, reconhecido e acolhido como Pessoa.” (n.686). Buscar, pois, ter para com a Pessoa Divina do Espírito Santo um relacionamento pessoal íntimo, é corresponder aos dom (ao presente) que Deus faz de Si mesmo, a nós, em Pentecostes. Há como recusar isso?!

Oração

A - Louvor a ti, Senhor poderoso,
Espírito consolador;
generoso dispensador de todos os bens,
igual ao Pai e ao Filho,
a ti a glória e a soberania.
B - És a Luz e portador da luz.
Ès bondade de fonte de toda a bondade.
És o Espírito que forma profetas e suscita apóstolos.
A- Dás a vitória aos mártires e poder aos confessores.
Tornas inteligentes os que te procuram, orientas os que estão sem destino,
B - consolas os tristes e fortaleces os fracos, cuidas dos feridos, ergues os que caíram, dás
coragem aos que têm medo, acalmas os violentos, abrandas os corações endurecidos,
confirmas os fiéis e resguardas os que crêem.
A - Eu te suplico, Espírito consolador,
desce ao templo do meu coração,
como descestes à sala do cenáculo,
testemunha da santa ceia.
B - Vivifica-me com teus dons benfazejos,
abrasa-me o coração com o fogo do teu amor,
concede-me tua sabedoria eterna,
e que tua luz resplandecente me purifique o coração.
A - Que eu te conheça com verdadeiro discernimento,
tu que reinas com o Pai e o Filho.
B - Guia-me para que te glorifique e te adore com toda pureza, amor e obediência.
T - com o Pai de quem procedes e com o Filho de quem recebes, agora e sempre. Espírito
Santo vem rezar em mim.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Podcast da Vigília de Pentecostes 2012



5º dia #NovenaDePentecostes: A Catequese de Jesus sobre o Espírito Santo


Leitura do Evangelho de Jesus Cristo segundo João, cap. 14, versículos de 12 a 17.

Reflexão Catequética

Jesus Cristo é o portador definitivo das boas novas da Revelação. Anuncia-nos com autoridade que Deus é Pai, que Ele e o Pai são um e que o Espírito Santo é o “outro Paráclito” que haveria de vir para dar testemunho dele. Nos capítulos 14, 15 e 16 do Evangelho de São João, especialmente, Jesus expõe aos seus discípulos uma nova e esclarecedora catequese sobre o Espírito Santo. Refere-se a Ele, pela primeira vez, como a alguém, como a uma Pessoa. Explica-nos o novo modo como essa Pessoa Divina estará em nosso meio, e qual a essência de sua missão: estará conosco eternamente; e não só conosco, mas em nós (Jo 4, 15-17); ensinar-nos-á todas as coisas e nos recordará tudo o que Jesus nos disse (Jo 14,26); dará testemunho, não de Si mesmo, mas de Jesus (Jo 15,26); e que - era verdade-convinha a nós que Ele (Jesus) voltasse para o Pai, porque, assim, o Espírito viria para estar conosco e nos convenceria a respeito do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16, 7-8); e que Ele nos conduziria à completa verdade, pois não falaria de Si mesmo, mas tomaria daquilo que ouvira do próprio Cristo, e o glorificaria! (Jo 16, 13-14).

Antes de sua ascensão, Jesus ainda nos fará outras revelações a respeito da Pessoa do Espírito Santo. Mas, daquilo que já disse até aqui, podemos compreender com mais clareza que:

a - O Espírito Santo é uma Pessoa; misteriosa, divina, mas uma Pessoa;
b - é necessária a Sua vinda para a continuação da obra da salvação iniciada por Jesus,
sobre quem Ele testemunhará;
c - não estará mais apenas conosco, mas em nós;
d - e não por pouco tempo, mas eternamente;
e- por Ele teremos acesso à verdade sobre o Cristo, de quem Ele recordará eternamente
as palavras e os feitos...

Além dessas novidades apontadas por Jesus a respeito do novo modo de O Espírito Santo estar presente entre nós após a sua partida, temos um outro elemento que é de fato fundamental para o entendimento do significado de Pentecostes. E um dos textos-chave para esse entendimento é o que nos oferece o Evangelho de João no seu capítulo 7, versículos de 37 a 39, quando diz: “No último dia, que é o principal dia de festa, estava Jesus de pé e clamava: ‘Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura: Do seu interior manarão rios de água viva’ (Zc 14, 8; Is 58, 11). Dizia isso, referindo-se aos que cressem nele, pois ainda não fora dado o Espírito, visto que Jesus ainda não tinha sido glorificado.”

Oração 

A - Vem, Espírito Santo, e santifica-me.
Vem, Espírito de Verdade, e enche-me de ti.
Que a tua sapiência divina me instaure na Verdade.
B - Eu desejo que a Verdade reine na minha mente, nas minhas palavras, nos meus afetos,
nas minhas ações, evitando tudo o que lhe seja contrário, não só a mentira, senão também
a dissimulação, a duplicidade, a falta de sinceridade.
A - Vem, Espírito de paz, e dá-me a tua paz, a paz profunda que dilata a alma e a torna
apta às tuas operações; a paz que acalma e domina todo o sensível;
B - Vem, Espírito de caridade, faze-me tão inflamado de teu amor, que o faça transbordar
sobre as almas que eu desejo levar a ti.
A - Ó Divino Espírito, trasnsforma-me em amor.
Só assim poderei responder plenamente a teu convite, a ser útil à Igreja.
B - Ó Espírito da Verdade, faze-me conhecer o Verbo, ensina-me a lembrar-me sempre de
tudo quanto ele disse.
A - Ilumina-me, guia-me, torna-me, conforme Jesus, em outro Cristo , comunicando-me as
suas virtudes,
B - sobretudo paciência, a humildade, a obediência.
T - Faze-me participar da tua obra redentora.
Faze-me entender, e amar a cruz.

DIVINO ESPÍRITO ( Paulo VI)

Ó Espírito santo!
Daí-me um coração grande,
aberto à vossa silenciosa e forte palavra inspiradora;
fechado a todas as ambições mesquinhas;
alheio a qualquer desprezível competição humana;
Compenetrado do sentido da Santa Igreja!
Um coração grande, desejoso de se tornar
semelhante ao coração do Senhor Jesus!
Um coração grande e forte, para amar a todos,
para servir a todos, para sofrer por todos!
Um coração grande e forte para superar
todas as provações, todo tédio, todo cansaço,
toda desilusão, toda ofensa!
Um coração cuja felicidade é palpitar
com o coração de Cristo, e cumprir humilde,
fiel e virilmente a vontade do Pai.
Amém

segunda-feira, 21 de maio de 2012

4º dia #NovenaDePentecostes: O Espírito da Promessa no Antigo Testamento


Leitura do Livro do Profeta Ezequiel, capítulo 36, versículos de 24 a 28

Reflexão Catequética

É da maior importância para a nossa abertura à Pessoa do Espírito Santo compreendermos adequadamente - tanto quanto nos permite a Revelação e a nossa capacidade de interpretá-la - o significado central daquilo que aconteceu no histórico evento de Pentecostes. Pentecostes não é, simplesmente, “a vinda do Espírito Santo”, como comumente costumasse afirmar. O Espírito Santo - Pessoa divina que é - sempre esteve presente na história da humanidade, não sendo pois correto crer que Ele só tenha vindo atuar em nosso meio depois de Pentecostes.

De fato, já no segundo versículo da Bíblia (Gn 1,2), encontramos a expressão: “... O Espírito
pairava sobre as águas...”. E ela nos ensina ainda, por exemplo, que Ele desceu sobre Enoque, Abraão, Isaque e Jacó; que o Faraó compreendera que José possuía o Espírito de
Deus; que os milagres de Moisés eram operados por Sua virtude; que atuou em Otoniel, Gedeão, Débora, e Sansão; que Samuel e Davi profetizavam pelo Espírito Santo; que Azarias e Oziel o possuíam. E Isaías (63, 11-12) aduz: “Onde habita aquele que enviou no meio deles o Espírito Santo, guiando Moisés pela destra? Desceu o Espírito do Senhor e foi
o guia do seu povo...”

Outras passagens da Sagrada Escritura confirmam esta presença e este operar do Espírito Santo nos tempos descritos pelo Antigo Testamento. Do conjunto dessas afirmações, podemos caracterizar em certo sentido o modo como o Espírito Santo estava presente e operava na história da salvação, antes de Pentecostes (porque, depois, seria diferente!).

Podemos dizer que:

a) O Espírito Santo se manifestava ( ou “se apossava de”, ou “agia em”...) apenas em algumas pessoas, escolhidas por Deus com vistas a algum propósito de Sua parte (alguns reis, profetas, juízes, ou sacerdotes).
b) O Espírito se manifestava na vida dessas pessoas por um determinado tempo, apenas; cessada a “missão”, a “tarefa” ou o “propósito”, cessava a aparente manifestação; Ele ainda não “habitava” o ser humano como hoje nos é possível;
c) A presença do Espírito na vida de todas as pessoas era uma presença considerada do tipo “natural”, ou imanente, a sustentar e garantir nelas a vida - do que Ele é Senhor e Fonte! Não era ainda uma presença do tipo “sobrenatural” - além da natureza humana -, uma presença pela graça, como nos é possível hoje por um intermédio dos Sacramentos.
d) Não se tinha a consciência - a revelação - que temos hoje a respeito do Espírito Santo. Percebiam-No mais como uma “força divina”, e não como a presença e a ação de uma Pessoa Divina, da Trindade.

Algumas promessas, porém, da parte de Deus pela boca de seus profetas (e depois, pela boca do próprio Jesus) nos davam conta de que, para os tempos messiânicos - ou seja, depois da vinda do Filho-, a presença e o operar do Espírito seriam diferentes. Por exemplo,
pela boca do profeta Joel, Deus nos anunciava: “Depois disso acontecerá que derramarei o
meu Espírito sobre todo o ser vivo: vossos filhos e vossas filhas profetizarão; vossos anciãos terão sonhos, e vossos jovens terão visões. Naqueles dias, derramarei também o meu espírito sobre os escravos e as escravas.” (Jl 3,1-2; ver também Ez 36, 25-27, Is 44,3).

Pentecostes é a realização dessas promessas a respeito do Espírito. E a nós, a quem coube viver nesses tempos em que Pentecostes já é uma realidade, é dada a possibilidade de desfrutar os privilégios que o novo modo do Espírito Santo estar presente e agir veio nos trazer, como veremos nos próximos encontros...

Oração 

A - Quem és tu, doce luz que me inundas e aclaras a noite do meu coração? Tu me guias
com tua mão maternal. Se me desamparas, não avanço mais, nem sequer um passo.
B - Tu és o espaço que cerca o meu ser e no qual tu te ocultas. Se me abandonas, caio no
abismo do nada, do qual me chamaste para o ser.
A - Estás mais próximo de mim que eu, és mais íntimo de mim que meu íntimo.
B - E, contudo, ninguém te atinge, ninguém te compreende.
T - E nenhum nome pode aprisionar-te: Espírito Santo Eterno Amor.
A - Vem, Espírito Criador venerado e todo-poderoso, pelo qual tudo foi feito.
B - Tu tens tudo em tuas mãos, tu que estás acima de toda sabedoria e de todo poder.
A - Nada pode descrever-te, compreender-te, sondar-te.
B - Tu terminas toda a criação em sua essência; tu és inseparável de todas as coisas em
sua força.
A - Nós te bendizemos, Senhor de todas as coisas e muito bom!
B - De ti procedem toda existência, toda respiração, todo pensamento, todo conhecimento
de Deus.
A - Nós te bendizemos porque és tu que nos fazes ver a beleza do céu, o percurso do Sol,
B - o círculo da lua, a magnificência das estrelas.
T - Por isso nós proclamamos: Glória a Ti, Espírito Criador!
D - Divino Espírito Santo.
T - Iluminai-nos.

Vídeo da Vigília de Pentecostes 2012

domingo, 20 de maio de 2012

3º dia #NovenaDePentecostes: O Espírito Santo é uma Pessoa


Leitura do livro dos Atos dos Apóstolos, capítulo 13, versículos de 01 a 04.

Reflexão Catequética

Como já vimos, Deus é sempre um mistério. E, das três Pessoas, o Espírito Santo parece ser a mais misteriosa de todas. É o “Deus sem face” (ao contrário do Filho que assumiu a nossa natureza humana) o “Deus sem referência humana” (ao contrário da Primeira Pessoa, a quem chamamos por um nome que nos é bastante comum: Pai!)... Para referir-se a Ele, as Sagradas Escrituras lançam mão de símbolos, tais como: Água, Unção, Fogo, Nuvem, Luz, Selo, Mão, Dedo e Pomba (Catec. N 694 a 701). E quando questionados a respeito de quem é o Espírito Santo, comumente também respondemos com conceitos totalmente impessoais, ou abstratos, como: “Ele é o amor, a consolação, a luz, a força, a esperança, o revelador...”

Na realidade, Deus é, na sua natureza, amor (cf.1 Jo 4,16). Por conseguinte, dom, vida incessantemente doada. Enquanto fonte permanente desse dom, Deus é Pai. Enquanto expressão e receptor desse dom, Deus é Filho. Enquanto dom mesmo, ele é o Espírito. “Uma só essência, uma substância ou natureza, mas três pessoas”, nos ensina o Concílio de Latrão. E, de fato, aprendemos todos – e desde cedo - que o Espírito Santo é a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Mas em que sentido? Como é que alguém que eu não vejo, não toco, e que é “espírito”, pode ser uma pessoa?...

Ainda que limitados pelo curto alcance dos conceitos humanos, podemos ser auxiliados nessa “compreensão” quando associamos a palavra pessoa (persona) ao conceito de personalidade. O Espírito Santo traz em si todos os atributos de uma personalidade. Ele tem intenção (Rm 8,27), tem conhecimento (1 Cor 2,10-11), tem vontade própria (1 Cor 12,11) experimenta emoções (Ef 4,30). Ele se relaciona e age como somente uma pessoa poderia fazê-lo: Ele fala (At. 1,16), ora (Rom 8,26-27), ensina (Jô 14, 26) opera milagres (At 2, 4 ; 8, 39) ordena (At 8, 29; 10,19-20; 11,12; 13,2) proíbe (At 16, 6-7), guia as pessoas (Rom 8,14) e consola a Igreja (At 9,31) - entre outras tantas ações...

A consciência de que o Espírito Santo é uma pessoa deve gerar em nós um impacto que interpele a nossa vida: se o Espírito Santo é uma Pessoa, nós precisamos aprender a ter
com Ele um relacionamento pessoal - isto é, de pessoa para Pessoa. Ele não pode continuar sendo para nós apenas um dado teológico, doutrinário, mas... uma Pessoa,amiga! Uma Pessoa com quem posso partilhar minhas dificuldades, minhas vitórias, meus fracassos, minhas alegrias... A propósito, você já entabulou uma conversa com o Espírito Santo, hoje? Já lhe disse, por exemplo, “Bom Dia Espírito Santo?”. Afinal, Ele é também o nosso Advogado, o nosso Consolador e Aquele que nos dá força...

Oração 

A - Espírito Santo contemplar-te é mergulhar o olhar no invisível, em pleno mistério de Deus.
B-Não tens um semblante de Evangelho como o Cristo, nem de face de Pai; mesmo renunciando a te imaginar um rosto, queremos aderir a Ti com todas as nossas forças;
A-Não tens um semblante porque és o fogo do amor que reúne os semblantes do Pai e do
Filho, para não formar senão um só, numa sublime fusão;
B - Vives nos semblantes de outrem, como sua vida mais secreta, e és tu que nos revela o
autêntico semblante do Salvador, bem como o do Pai celeste;
A - És abismo de profundidade, recôndito inexpugnável e inexprimível de se representar em
traços delimitados.
B-Tu és o sopro que emana do Pai e do Filho que vem animar o nosso espírito, fornar-mos
uma feição espiritual.
A-Tu és a respiração de nossa alma, o pensamento de nosso pensamento, o impulso de
nossa vontade, a força do nosso amor;
B-Tu és a vida divina que vem nos fazer viver o Cristo, que invade o nosso ser para
transfigurá-lo.
A-Tu nos ultrapassas infinitamente e, no entanto, és tão intímo a nós;
B-Não resides num longínquo abstrato, mas no concreto palpitante de nossa existência.
T-Contemplar-te é deixar-se tomar pela torrente de um amor que transborda e se apossa de
toda a nossa pessoa humana. Amém.

sábado, 19 de maio de 2012

2º dia #NovenadePentecostes: O Espírito Santo é Deus


Leitura da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios, capítulo 2, versículos de 9 a 12 (ler
diretamente na Sagrada Escritura)


Reflexão Catequética

 Muitas pessoas concebem o Espírito Santo como uma “força de Deus”, ou como uma “luz divina”, ou, ainda, como uma “consolação divina” que Deus nos concede, apenas.Embora possamos também considerá-lo como essas realidades todas, é necessário termos em conta que o Espírito Santo não é “uma parte” ou “um aspecto” da ação divina. Ele é Deus! Mesmo não assumindo a nossa natureza humana como Jesus - que se fez carne, um de nós -, o Espírito Santo é Deus mesmo. Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, um com o Pai e o Filho. Procede do amor entre eles, uma só essência, uma só natureza com Eles.Como Pessoa é livre, tem inteligência e vontade.Tudo vê, tudo conhece, está presente em tudo e em todos. Exerce hoje, em mim - em cada criatura, em todos os filhos de Deus -, a missão de santificador, de consolador. 

É o Senhor da vida! É aquele que, agindo em nosso interior desde o nosso Batismo, nos leva a conhecer Jesus, a amá-Lo, a seguir Seus ensinamentos. Ele nos revela Jesus - Caminho,Verdade e Vida. Ele nos convence de que somos salvos pelo sangue do Cordeiro sem mancha, Jesus Cristo. Deus sem face. A humildade de Deus. Puro Espírito, que escolheu nosso ser para Seu Templo, Sua morada, habitando nosso frágil espírito humano. No credo niceno-constantinopolitano, rezamos: “Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado; Ele que falou pelos profetas”. Ao professarmos nossa fé na Pessoa do Divino Espírito Santo, a Igreja nos ensina: “Aquele que o Pai enviou aos nossos corações, o Espírito do seu Filho, é realmente Deus.

Consubstancial ao Pai e ao Filho, Ele é inseparável dos dois, tanto na Vida íntima da Trindade como no seu dom de amor pelo mundo. Mas ao adorar a Santíssima Trindade, vivificante, consubstancial e indivisível, a fé da Igreja professa também a distinção das Pessoas. Quando o Pai envia seu Verbo, envia sempre seu Sopro: missão conjunta em que
o Filho e o Espírito Santo são distintos, mas inseparáveis. Sem dúvida, é Cristo que aparece, Ele, a imagem visível do Deus invisível; mas é o Espírito Santo que O revela” (Catec; n.689-690). E diz mais o Catecismo da Igreja Católica n.253: “As pessoas divinas não dividem entre si a única divindade. Mas cada uma delas é Deus por inteiro:” O Pai é aquilo que é o Filho, O Filho á aquilo que é o Pai, O Espírito Santo é aquilo que são o Pai e o Filho, isto é, um só Deus quanto à natureza” (XI Concílio de Toledo, em 675:DS 530).

Oração 

A - Divino Espírito Santo, necessitamos muito de vossa ajuda para conhecer o caminho que
devemos seguir.
T - Dai-nos, ó Pai, por Jesus, o vosso Espírito Santo!
B - Temos necessidade de vós, para que nosso coração, inundado vossa consolação, se
abra, e que muito além das palavras e dos conceitos, possamos perceber em nós a vossa
presença de Pessoa Divina.
T - Dai-nos ó Pai, por Jesus, o Vosso Espírito Santo!
A - Cremos, Ó Espírito Santo, que viveis na Igreja e em nós, sois nosso hóspede
permanente, sempre a modelar em nosso ser a figura e a forma de Jesus Cristo.
T - Dai-nos, ó Pai, por Jesus, o vosso Espírito Santo!
B - Nós nos dirigimos também a Vós, Maria, Mãe da Igreja, que viveste a plenitude
inebriante do Espírito Santo, experimentaste a sua força em vosso ser e o vistes operando
em vosso filho Jesus: intercedei por nós, para que nossa mente e o nosso coração se abram
à ação divina.
T - Dai-nos, ó Pai, por Jesus, o Vosso Espírito Santo!
A - Fazei com que tudo o que pensamos, fazemos ou ouvimos, todos os nossos gestos e
todas as nossas palavras sejam tão-somente abertura e disponibilidade a este único Santo
Espírito que forma a Igreja no mundo.
T - Dai-nos, ó Pai, por Jesus, o Vosso Espírito Santo!
B - Edifica o corpo de Cristo na história; promove o testemunho da fé; consola e conforta;
plenifica de confiança e de paz o nosso coração, mesmo em meio às dificuldades e
tribulações.
T - Dai-nos, ó Pai, por Jesus, o Vosso Espírito Santo!
T - Nós o pedimos, Pai, juntamente com a intercessão de Maria e de todos os santos, e em
nome do vosso filho Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.