domingo, 20 de maio de 2012

3º dia #NovenaDePentecostes: O Espírito Santo é uma Pessoa


Leitura do livro dos Atos dos Apóstolos, capítulo 13, versículos de 01 a 04.

Reflexão Catequética

Como já vimos, Deus é sempre um mistério. E, das três Pessoas, o Espírito Santo parece ser a mais misteriosa de todas. É o “Deus sem face” (ao contrário do Filho que assumiu a nossa natureza humana) o “Deus sem referência humana” (ao contrário da Primeira Pessoa, a quem chamamos por um nome que nos é bastante comum: Pai!)... Para referir-se a Ele, as Sagradas Escrituras lançam mão de símbolos, tais como: Água, Unção, Fogo, Nuvem, Luz, Selo, Mão, Dedo e Pomba (Catec. N 694 a 701). E quando questionados a respeito de quem é o Espírito Santo, comumente também respondemos com conceitos totalmente impessoais, ou abstratos, como: “Ele é o amor, a consolação, a luz, a força, a esperança, o revelador...”

Na realidade, Deus é, na sua natureza, amor (cf.1 Jo 4,16). Por conseguinte, dom, vida incessantemente doada. Enquanto fonte permanente desse dom, Deus é Pai. Enquanto expressão e receptor desse dom, Deus é Filho. Enquanto dom mesmo, ele é o Espírito. “Uma só essência, uma substância ou natureza, mas três pessoas”, nos ensina o Concílio de Latrão. E, de fato, aprendemos todos – e desde cedo - que o Espírito Santo é a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Mas em que sentido? Como é que alguém que eu não vejo, não toco, e que é “espírito”, pode ser uma pessoa?...

Ainda que limitados pelo curto alcance dos conceitos humanos, podemos ser auxiliados nessa “compreensão” quando associamos a palavra pessoa (persona) ao conceito de personalidade. O Espírito Santo traz em si todos os atributos de uma personalidade. Ele tem intenção (Rm 8,27), tem conhecimento (1 Cor 2,10-11), tem vontade própria (1 Cor 12,11) experimenta emoções (Ef 4,30). Ele se relaciona e age como somente uma pessoa poderia fazê-lo: Ele fala (At. 1,16), ora (Rom 8,26-27), ensina (Jô 14, 26) opera milagres (At 2, 4 ; 8, 39) ordena (At 8, 29; 10,19-20; 11,12; 13,2) proíbe (At 16, 6-7), guia as pessoas (Rom 8,14) e consola a Igreja (At 9,31) - entre outras tantas ações...

A consciência de que o Espírito Santo é uma pessoa deve gerar em nós um impacto que interpele a nossa vida: se o Espírito Santo é uma Pessoa, nós precisamos aprender a ter
com Ele um relacionamento pessoal - isto é, de pessoa para Pessoa. Ele não pode continuar sendo para nós apenas um dado teológico, doutrinário, mas... uma Pessoa,amiga! Uma Pessoa com quem posso partilhar minhas dificuldades, minhas vitórias, meus fracassos, minhas alegrias... A propósito, você já entabulou uma conversa com o Espírito Santo, hoje? Já lhe disse, por exemplo, “Bom Dia Espírito Santo?”. Afinal, Ele é também o nosso Advogado, o nosso Consolador e Aquele que nos dá força...

Oração 

A - Espírito Santo contemplar-te é mergulhar o olhar no invisível, em pleno mistério de Deus.
B-Não tens um semblante de Evangelho como o Cristo, nem de face de Pai; mesmo renunciando a te imaginar um rosto, queremos aderir a Ti com todas as nossas forças;
A-Não tens um semblante porque és o fogo do amor que reúne os semblantes do Pai e do
Filho, para não formar senão um só, numa sublime fusão;
B - Vives nos semblantes de outrem, como sua vida mais secreta, e és tu que nos revela o
autêntico semblante do Salvador, bem como o do Pai celeste;
A - És abismo de profundidade, recôndito inexpugnável e inexprimível de se representar em
traços delimitados.
B-Tu és o sopro que emana do Pai e do Filho que vem animar o nosso espírito, fornar-mos
uma feição espiritual.
A-Tu és a respiração de nossa alma, o pensamento de nosso pensamento, o impulso de
nossa vontade, a força do nosso amor;
B-Tu és a vida divina que vem nos fazer viver o Cristo, que invade o nosso ser para
transfigurá-lo.
A-Tu nos ultrapassas infinitamente e, no entanto, és tão intímo a nós;
B-Não resides num longínquo abstrato, mas no concreto palpitante de nossa existência.
T-Contemplar-te é deixar-se tomar pela torrente de um amor que transborda e se apossa de
toda a nossa pessoa humana. Amém.